Ansteyapps › Guias › Aprender a escrever com a outra mão

Aprender a escrever com a outra mão

Quando a mão dominante fica afetada após um AVC ou uma lesão cerebral, há dois caminhos honestos: continuar a trabalhar essa mão ou ensinar a outra a escrever. Muitas pessoas fazem um pouco dos dois. Veja o que ajuda.

Mudar de mão, insistir, ou as duas coisas?

Mudar a mão com que escreve não é desistir da mão afetada, nem uma decisão definitiva. A pergunta prática é para que precisa de escrever agora: uma assinatura, listas de compras, formulários, postais para os netos? Se a mão afetada ainda não consegue, a outra pode assumir essas tarefas enquanto a afetada continua os seus próprios exercícios.

Decida o que decidir, nada do que se segue substitui o programa de exercícios que a sua equipa lhe deu para o braço e a mão afetados.

A preparação: papel, mesa e o braço afetado

Sente-se a uma mesa com os dois antebraços apoiados. Se agora escreve com a mão esquerda, incline o papel no sentido dos ponteiros do relógio, com o canto superior direito mais alto; quem agora escreve com a direita inclina-o ao contrário. Esse ângulo mantém o pulso direito e a mão abaixo da linha em que está a escrever: vê as palavras e, se escreve com a esquerda, esborrata menos a tinta.

O papel vai tentar fugir-lhe. Se o braço afetado conserva alguma função, o seu peso pousado na borda da folha faz de pisa-papéis natural, e ainda mantém o braço ocupado e à vista. Se ainda não for possível, uma prancheta com mola, uma tira de fita adesiva, uma base antiderrapante ou simplesmente um livro pesado na borda oposta fazem o mesmo serviço. Deixe o braço afetado apoiado na mesa em vez de pendurado.

Canetas e adaptadores

Uma caneta de corpo grosso é mais fácil de segurar com uma mão que ainda está a aprender; as esferográficas finas exigem pressão e precisão que ainda não tem. As canetas de gel e roller deixam tinta quase sem pressão, e as de feltro são as mais tolerantes de todas. Adaptadores de borracha baratos engrossam qualquer caneta que já tenha. Também existem canetas com peso, que ajudam algumas pessoas; um terapeuta ocupacional pode dizer-lhe se valem a pena antes de gastar dinheiro.

Uma progressão de prática

Saltar etapas é o erro mais comum. Cada uma delas prepara a seguinte.

1. Movimentos grandes e soltos

Rabiscos, círculos grandes, ondas e oitos por toda a folha, a partir do ombro e do cotovelo, não dos dedos. É aqui que a mão nova aprende, antes de mais, a conduzir a caneta. Vai parecer trabalho de criança pequena, e é esse o exercício, não um fracasso.

2. Famílias de letras

Pratique as letras agrupadas por forma, em grande e em papel pautado: a família redonda (c, o, a, d, g), a família das hastes (l, t, i, h), a família em ziguezague (v, w, x, z). Uma família por sessão chega. Deixe espaços generosos; as letras hão de encolher mais tarde.

3. O seu nome e as palavras que importam

Passe cedo à assinatura e às palavras de que precisa mesmo no dia a dia: nome e morada, os nomes da família, as compras habituais. Uma assinatura simplificada e constante é uma boa meta; pratique sempre a mesma versão.

4. Frases curtas e tarefas reais

Listas, postais de aniversário, uma linha num diário, palavras cruzadas. As tarefas reais motivam mais do que os exercícios soltos, e mostram-lhe sem rodeios o que falta trabalhar.

Pouco e muitas vezes vale mais do que muito e raramente: várias sessões curtas espalhadas pelo dia, parando enquanto ainda corre bem. Não há número mágico de minutos; a sua própria fadiga é o guia.

Fadiga, tremido e o que é normal

A escrita com a mão não dominante começa grande, lenta e tremida em toda a gente: é assim que começa qualquer escrita, em qualquer idade, e não é sinal de que a mudança não vá resultar. Conte com semanas até parecer menos estranha e meses até ser rotina. A ordem das metas é esta: primeiro legível, depois confortável, por fim rápida. Escrever também exige concentração a sério depois de um AVC ou de uma lesão cerebral: o cansaço nota-se na escrita antes de o sentir. Um dia mais tremido é um sinal para parar mais cedo, não prova de progresso perdido.

Tremido é normal. Lento é normal. A meta é uma escrita que tanto o próprio como os outros consigam ler, e «diferente de antes» não é fracasso.

Uma forma de praticar: a ReWrite

A ReWrite transforma a prática de letras, palavras e frases em traçado guiado num tablet, com formas grandes e tolerantes, adequadas a uma mão que ainda as está a aprender, em 20 línguas e totalmente offline. É uma forma de acrescentar repetições à prática no papel: apoia a prática e não substitui a terapia ocupacional. Demonstração gratuita, sem conta.

Ver a ReWrite →

Quando consultar um terapeuta ocupacional

Um terapeuta ocupacional pode ajudar a decidir em que mão apostar, ajustar adaptadores ou canetas com peso e adaptar a prática às suas metas; peça um encaminhamento ao seu médico ou à equipa de AVC. Peça ajuda sem demora se:

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora aprender a escrever com a outra mão?
Com prática regular, a maioria das pessoas chega em semanas a uma escrita legível mas lenta, e em alguns meses a uma escrita confortável para o dia a dia. A variação é grande e depende da prática, da fadiga e do que mais o AVC ou a lesão afetou; o tremido pelo caminho é normal.
Devo parar de exercitar a mão afetada?
Não. Escrever com a outra mão e exercitar a mão afetada são coisas que andam perfeitamente a par. Continue o programa da sua equipa; o nosso guia de exercícios de mão e dedos cobre o lado afetado.
A minha nova letra chegará a parecer-se com a antiga?
Normalmente fica um pouco diferente, e não faz mal. A meta é uma escrita que sai sem esforço e é fácil de ler, não uma cópia da letra antiga.

Este guia fornece informação geral, não aconselhamento médico, e não diagnostica nem trata qualquer condição. Siga sempre as orientações da sua própria equipa de reabilitação. Stroke Sight e ReWrite são ferramentas de apoio ao bem-estar, não dispositivos médicos.